Dólar sobe 0,5%, vendido a R$ 4,764 após divulgação do IPCA; Bolsa cai

O dólar comercial subia 0,5% por volta das 11h (horário de Brasília), vendido a R$ 4,764, conforme os digerem hoje um IPCA de março mais forte do que o esperado e as implicações disso para a política monetária local.

Ontem (7), a moeda norte-americana teve a terceira alta seguida, de 0,56%, negociada a R$ 4,741.

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) operava em queda de 0,91%, aos 117.784,34 pontos. Desde a abertura, o índice chegou a descer mais de 1%. Ontem (7) o Ibovespa fechou em alta de 0,54%, a 118.862,117 pontos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,62% no mês passado, informou o IBGE nesta sexta-feira. No acumulado de 12 meses até março, o índice teve alta de 11,30%. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 1,30% março e de 10,98% em 12 meses.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Perspectiva de continuidade na alta dos juros

Em relatório, estrategistas do Citi disseram que “resumidamente, esta leitura do IPCA mostra claramente uma deterioração das perspectivas de inflação, o que evidentemente está surpreendendo o BC” para cima.

“Hoje a tendência é o real se valorizar pelo IPCA ter vindo bem mais forte do que o esperado”, disse à Reuters Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. “O mercado está vendo que o IPCA não está cedendo, o que pode fazer o Banco Central elevar as taxas de juros um pouco mais”, o que é visto como amplamente favorável à moeda brasileira.

Custos de empréstimos mais altos por aqui tornam o real mais atraente para estratégias que buscam lucrar com diferenciais de juros entre economias avançadas e em desenvolvimento. A Selic está atualmente em 11,75% ao ano, e o Banco Central tem indicado que promoverá ajuste de 1 ponto percentual em sua reunião de maio, o que pode marcar o fim do ciclo de aperto monetário iniciado há mais de um ano, que tirou a taxa de uma mínima histórica de 2%.

Alguns participantes do mercado, no entanto, têm dito desde antes da publicação do IPCA de março que a autarquia pode ser forçada a estender o endurecimento da política monetária para além do encontro do mês que vem, com algumas instituições financeiras prevendo juros na casa de 14% até o fim de 2022.

Cruz disse que, embora o real deva se beneficiar da Selic, que está entre as maiores taxas nominais de juros do mundo, a aceleração da alta dos preços é uma preocupação para a economia brasileira. “Eu diria que existe, sim, risco de a inflação permanecer elevada e afastar investimentos do Brasil ao longo deste ano”, embora “boa parte do mercado entenda que a inflação está chegando em seu pico e, no segundo semestre deste ano, vai desacelerar”.

No fim das contas, ele reconheceu que “o Brasil segue pagando um dos melhores prêmios para o investidor que quer pegar emprestado lá fora e aplicar em país de juro alto.

Fonte : Economia.UOL

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