{"id":8810,"date":"2022-11-21T10:09:54","date_gmt":"2022-11-21T13:09:54","guid":{"rendered":"http:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/?p=8810"},"modified":"2022-11-21T10:09:56","modified_gmt":"2022-11-21T13:09:56","slug":"o-sinal-amarelo-da-inadimplencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/o-sinal-amarelo-da-inadimplencia\/","title":{"rendered":"O sinal amarelo da inadimpl\u00eancia."},"content":{"rendered":"\n<p>A escalada da taxa b\u00e1sica de juros &#8211; que passou de 2%, no in\u00edcio de 2021, para os atuais 13,75% ao ano &#8211; tem feito estragos na vida dos consumidores e das empresas. A inadimpl\u00eancia atingiu n\u00edvel recorde: segundo estudo da Fecom\u00e9rcio-SP, na virada do semestre 29% das fam\u00edlias nas capitais brasileiras tinham alguma conta em atraso &#8211; a maior marca da s\u00e9rie, iniciada em 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia acendeu o sinal amarelo para bancos e varejistas, que viram os resultados do terceiro trimestre prejudicados, em parte, pelo calote. Preocupados, ficaram mais cautelosos na aprova\u00e7\u00e3o de novos financiamentos e aumentaram as reservas para perdas futuras com o cr\u00e9dito, em meio a um cen\u00e1rio de juros ainda elevados e o baixo crescimento da economia brasileira esperado para 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Com queda nos lucros no terceiro trimestre, Bradesco e Santander, institui\u00e7\u00f5es com forte atua\u00e7\u00e3o no financiamento ao consumidor, por exemplo, ampliaram as chamadas Provis\u00f5es para Devedores Duvidosos (PDD). O Bradesco mais do que dobrou (116%) ante o mesmo per\u00edodo de 2021 a reserva contra eventuais calotes, que atingiu R$ 7,267 bilh\u00f5es. No Santander, a PDD somou R$ 6,209 bilh\u00f5es, alta de 68,9% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2021 e de 8% ante o trimestre anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse na apresenta\u00e7\u00e3o de resultados que a infla\u00e7\u00e3o e os juros levaram a uma redu\u00e7\u00e3o na capacidade de pagamentos dos brasileiros, o que explica o aumento na inadimpl\u00eancia e o salto nas provis\u00f5es. &#8220;A inadimpl\u00eancia tem nome e sobrenome: est\u00e1 na pessoa f\u00edsica, em cart\u00e3o de cr\u00e9dito e em cr\u00e9dito pessoal&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santander informou que j\u00e1 havia come\u00e7ado a apertar a concess\u00e3o de cr\u00e9dito no fim de 2021, antecipando o ciclo econ\u00f4mico, o que levou primeiro a uma desacelera\u00e7\u00e3o na carteira e, depois, a uma piora na inadimpl\u00eancia. Tamb\u00e9m em teleconfer\u00eancia sobre o balan\u00e7o, Mario Le\u00e3o, presidente do banco, disse que a piora est\u00e1 concentrada no segmento de pessoas f\u00edsicas, mas que o cen\u00e1rio deve mudar com a queda dos juros, algo que o mercado espera que volte a acontecer em meados do ano que vem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Altamiro Carvalho, assessor econ\u00f4mico da Fecom\u00e9rcio-SP e respons\u00e1vel pelo estudo sobre endividamento, o principal fator que levou ao aumento da inadimpl\u00eancia foi a infla\u00e7\u00e3o. Em junho de 2021, o IPCA acumulava em 12 meses alta de 8%, e chegou a 12% em junho deste ano, concentrado em itens essenciais, como alimentos e combust\u00edveis. &#8220;Isso abalou a capacidade de pagamento das fam\u00edlias, principalmente as de menor renda.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inadimpl\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da inadimpl\u00eancia, provocado principalmente pela alta dos juros, chegou tamb\u00e9m \u00e0s redes varejistas. O Magazine Luiza, por exemplo, que registrou preju\u00edzo de R$ 166,8 milh\u00f5es no terceiro trimestre, reservou R$ 590,4 milh\u00f5es para cr\u00e9ditos de liquida\u00e7\u00e3o duvidosa no cart\u00e3o pr\u00f3prio &#8211; que responde pela maior fatia das vendas a prazo da rede.<\/p>\n\n\n\n<p>A varejista aumentou em 206,4% a Provis\u00e3o para Devedores Duvidosos (PDD) em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre do ano passado. Quando \u00e9 levada em conta a rela\u00e7\u00e3o entre a provis\u00e3o e o tamanho da carteira de cr\u00e9dito do Magazine Luiza, o \u00edndice do terceiro trimestre est\u00e1 em 2,9%, ante 1,3% no mesmo per\u00edodo de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Roberto Bellissimo, diretor financeiro da varejista, diz, por\u00e9m, que a compara\u00e7\u00e3o entre os per\u00edodos n\u00e3o \u00e9 a mais adequada. &#8220;A inadimpl\u00eancia estava artificialmente baixa no terceiro trimestre de 2021 por conta dos aux\u00edlios (dados pelo governo).&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele observa que o indicador entre a provis\u00e3o e o tamanho da carteira era superior a 3% antes da pandemia. A inadimpl\u00eancia dos cr\u00e9ditos vencidos h\u00e1 mais de 90 dias na rede, que subiu para 9,2% da carteira no terceiro trimestre (ante 4,9% no mesmo per\u00edodo de 2021), est\u00e1 voltando para os n\u00edveis pr\u00e9-pandemia, argumenta. No entanto, o executivo diz que desde o come\u00e7o do ano vem reduzindo o ritmo de concess\u00e3o de novos cart\u00f5es da rede e est\u00e1 focado em clientes conhecidos e que j\u00e1 navegam pelo site da varejista.<\/p>\n\n\n\n<p>A Via, dona da Casas Bahia e do Ponto, apresentou preju\u00edzo l\u00edquido de R$ 203 milh\u00f5es no terceiro trimestre, e \u00e9 outra varejista que ampliou as reservas para cobrir a inadimpl\u00eancia. Os cr\u00e9ditos vencidos acima de 90 dias, que eram 7,4% dos financiamentos a receber no terceiro trimestre de 2021, subiram para 8,4% no mesmo per\u00edodo deste ano. Em um ano, a PDD da rede varejista foi de R$ 621 milh\u00f5es para R$ 658 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Lojas Cem, que tem capital fechado, n\u00e3o revela o aumento das provis\u00f5es contra a inadimpl\u00eancia, mas confirma que o calote est\u00e1 em alta. &#8220;Deu uma aumentadinha na inadimpl\u00eancia&#8221;, afirma Jos\u00e9 Domingos Alves, supervisor-geral da rede, que deve fechar o ano com 302 lojas. Historicamente, o atraso acima de 60 dias oscilava entre 4% e 4,5% da carteira de cr\u00e9dito da varejista. Agora, faz dois meses que est\u00e1 em 6%. &#8220;O aumento da infla\u00e7\u00e3o tirou o poder de compra e potencializou a alta da inadimpl\u00eancia, al\u00e9m do que ningu\u00e9m contava que a Selic chegaria 13,75%.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Melhora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 dezembro, no entanto, a tend\u00eancia para a inadimpl\u00eancia \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o, avalia Matheus Moura, diretor da Serasa, bir\u00f4 de cr\u00e9dito que j\u00e1 fechou 2,2 milh\u00f5es de renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas em atraso nas \u00faltimas duas semanas. &#8220;A continuidade da redu\u00e7\u00e3o do desemprego, a infla\u00e7\u00e3o reduzindo ou n\u00e3o subindo mais, atrelados aos aux\u00edlios governamentais tendem a reduzir a inadimpl\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Altamiro Carvalho, da Fecom\u00e9rcio-SP, acrescenta que a maior inje\u00e7\u00e3o de recursos do 13.\u00ba sal\u00e1rio, por conta do aumento do emprego formal, deve favorecer a queda do calote, uma vez que, tradicionalmente, 40% desses recursos v\u00e3o para a quita\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas. &#8220;O que sabemos \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es neste fim de ano ser\u00e3o melhores para as fam\u00edlias colocarem em ordem as d\u00edvidas em atraso, mas a grande inc\u00f3gnita \u00e9 o comportamento da inadimpl\u00eancia no primeiro semestre de 2023.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As incertezas sobre a pol\u00edtica econ\u00f4mica do novo governo, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o fiscal, e os poss\u00edveis desdobramentos sobre c\u00e2mbio, infla\u00e7\u00e3o e juros ainda n\u00e3o permitem fazer previs\u00f5es, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dissemina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo sobre inadimpl\u00eancia feito pela Fecom\u00e9rcio-SP mostra que, depois de um momento de paralisa\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas por conta da pandemia, em 2020, houve um momento de maior dissemina\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. Entre junho de 2021 e junho deste ano, a parcela de fam\u00edlias endividadas que moram nas capitais brasileiras subiu de 71,4% para 78%. Isso significa que 1,2 milh\u00e3o de novos brasileiros tiveram acesso ao cr\u00e9dito o per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sistema ficou menos seletivo, absorveu esse contingente, provavelmente de menor renda&#8221;, diz Carvalho, respons\u00e1vel pelo estudo sobre endividamento do consumidor. Com o aumento da infla\u00e7\u00e3o, esse consumidor perdeu a capacidade de pagamento e acabou se tornando inadimplente.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte : Economia.UOL<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escalada da taxa b\u00e1sica de juros &#8211; que passou de 2%, no in\u00edcio de 2021, para os atuais 13,75% ao ano &#8211; tem feito estragos na vida dos consumidores e das empresas. A inadimpl\u00eancia atingiu n\u00edvel recorde: segundo estudo da Fecom\u00e9rcio-SP, na virada do semestre 29% das fam\u00edlias nas capitais brasileiras tinham alguma conta em atraso &#8211; a maior marca da s\u00e9rie, iniciada em 2010. O avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia acendeu o sinal amarelo para bancos e varejistas, que viram os resultados do terceiro trimestre prejudicados, em parte, pelo calote. Preocupados, ficaram mais cautelosos na aprova\u00e7\u00e3o de novos financiamentos e aumentaram as reservas para perdas futuras com o cr\u00e9dito, em meio a um cen\u00e1rio de juros ainda elevados e o baixo crescimento da economia brasileira esperado para 2023. 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