{"id":8561,"date":"2022-06-27T17:23:54","date_gmt":"2022-06-27T20:23:54","guid":{"rendered":"http:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/?p=8561"},"modified":"2022-06-27T17:23:56","modified_gmt":"2022-06-27T20:23:56","slug":"economia-do-mundo-esta-parando-e-brasil-corre-serio-risco-de-piorar-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/economia-do-mundo-esta-parando-e-brasil-corre-serio-risco-de-piorar-tambem\/","title":{"rendered":"Economia do mundo est\u00e1 parando, e Brasil corre s\u00e9rio risco de piorar tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"\n<p>O mundo est\u00e1 sob amea\u00e7a de uma recess\u00e3o -redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, com desemprego, menos produ\u00e7\u00e3o e consumo. A possibilidade de essa crise acontecer nas maiores economias do planeta aumentou nas \u00faltimas semanas, dizem economistas. Segundo eles, isso ocorre porque EUA e Europa est\u00e3o subindo os juros contra a infla\u00e7\u00e3o e por causa do risco de a guerra na Ucr\u00e2nia afetar o fornecimento de energia a pa\u00edses do continente europeu. E essa situa\u00e7\u00e3o toda vai respingar no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas maiores economias do mundo deve ocorrer entre o fim deste ano e o primeiro semestre de 2023, apontam economistas, atingindo as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, o risco \u00e9 de uma recess\u00e3o maior na Europa que nos Estados Unidos, de dura\u00e7\u00e3o curta \u2014de dois a tr\u00eas trimestres. Se for isso, a economia do Brasil sofrer\u00e1 uma desacelera\u00e7\u00e3o, mas sem recess\u00e3o, diz o economista Rog\u00e9rio Studart, s\u00eanior fellow do N\u00facleo de Economia Pol\u00edtica do Cebri (Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais), ex-diretor executivo do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se a recess\u00e3o nos Estados Unidos e, principalmente na Europa, for mais grave, cresce o risco de a China tamb\u00e9m ser atingida. Nesse caso, o Brasil pode entrar em recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Temos uma recess\u00e3o encomendada para o ano que vem. A guerra na Ucr\u00e2nia agravou os gargalos na economia mundial, atingindo agora insumos b\u00e1sicos, como energia, e provocando infla\u00e7\u00e3o ainda mais forte. Na falta de a\u00e7\u00f5es coordenadas de pol\u00edticas econ\u00f4micas, um problema que vem desde a pandemia, foi colocado sobre os ombros dos bancos centrais a miss\u00e3o de reduzir infla\u00e7\u00e3o, elevando juros.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sub>Rog\u00e9rio Studart<\/sub><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recess\u00e3o t\u00e9cnica e recess\u00e3o de fato<\/h2>\n\n\n\n<p>Recess\u00e3o t\u00e9cnica ocorre quando o PIB de um pa\u00eds apresenta varia\u00e7\u00e3o negativa por dois trimestres seguidos. A recess\u00e3o de fato ocorre quando h\u00e1 uma piora dos principais indicadores econ\u00f4micos de um pa\u00eds, como desemprego, renda da popula\u00e7\u00e3o, receitas das empresa, investimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tr\u00eas motivos principais para recess\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>1) Juros: Taxas altas esfriam a economia porque desestimulam o consumo, encarecem o cr\u00e9dito e dificultam projetos de crescimento para as empresas. Pela primeira vez desde 2018, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) come\u00e7ou a elevar os juros e, na semana passada, acelerou essa alta. A medida serve para retomar o controle da infla\u00e7\u00e3o recorde de 8,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Simula\u00e7\u00f5es do Fed apontam para um risco de 50% de a alta dos juros levar o pa\u00eds \u00e0 recess\u00e3o. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada por bancos americanos, como o Bank of America, Goldman Sachs e Dreyfus and Mellon.<\/p>\n\n\n\n<p>O Bank of England (BOE, banco central da Inglaterra) tamb\u00e9m j\u00e1 subiu os juros no Reino Unido para o maior patamar desde 2009. E o Banco Central Europeu (BCE) ainda n\u00e3o come\u00e7ou a elevar as taxas, mas avisou que o processo come\u00e7a em julho, podendo inclusive ser acelerado em setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>2) Crise de energia na Europa: A guerra na Ucr\u00e2nia amea\u00e7a o suprimento de energia para a Europa. A R\u00fassia \u00e9 o principal exportador e segundo maior produtor de g\u00e1s natural do mundo, sendo respons\u00e1vel por fatias relevantes dessa fonte de energia para grandes economias, como a de Alemanha (49%), It\u00e1lia (46%) e Fran\u00e7a (24%).<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia j\u00e1 come\u00e7ou a cortar a oferta de energia aos clientes europeus. Isso significa restri\u00e7\u00f5es \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nas ind\u00fastrias e ao consumo das fam\u00edlias, afirma o economista Paulo Dutra, coordenador do curso de Economia na FAAP, professor de economia internacional e especialista em com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O risco de recess\u00e3o est\u00e1 no radar, e n\u00e3o \u00e9 pequeno, em especial para a Europa, onde a possibilidade \u00e9 mais elevada em dura\u00e7\u00e3o e intensidade. O pre\u00e7o maior e a menor oferta de energia afetam o consumo e a produ\u00e7\u00e3o na economia, o que reduz a atividade.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup> Paulo Dutra, coordenador do curso de Economia na FAAP<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>3) Covid na China: Tem havido aumento no n\u00famero de casos de covid-19 na China, que tem adotado medidas de restri\u00e7\u00e3o em cidades importantes, gerando desacelera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O cen\u00e1rio de aperto nas pol\u00edticas monet\u00e1rias [aumento de juros] nos pa\u00edses desenvolvidos e desacelera\u00e7\u00e3o da atividade na China aumentou a probabilidade de que a economia global entre em recess\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup><sub>Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, economista chefe da Genial Investimentos<\/sub><\/sup><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto maior na Europa que nos EUA<\/h2>\n\n\n\n<p>Economistas dizem que a recess\u00e3o deve ser mais forte e longa na Europa porque os pa\u00edses da regi\u00e3o sofrer\u00e3o dois impactos simult\u00e2neos \u2014o dos juros e o da energia.<\/p>\n\n\n\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o dos juros pelos bancos centrais de Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e Inglaterra deve levar a uma desacelera\u00e7\u00e3o sincronizada global, diz o economista Adauto Lima, economista-chefe da unidade brasileira da Western Asset, gestora global que administra US$ 449 bilh\u00f5es em investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Os riscos de recess\u00e3o s\u00e3o maiores na Europa por causa do choque energ\u00e9tico mais severo no continente que nos Estados Unidos, que s\u00e3o autossuficientes em energia.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sub> Adauto Lima<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da menor exposi\u00e7\u00e3o ao choque de energia, a economia norte-americana entra no ciclo de aumento de juros mais saud\u00e1vel que a da Europa. O PIB dos Estados Unidos recuou menos que o da zona do euro em 2020 e cresceu mais em 2021.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Varia\u00e7\u00e3o do PIB nos anos da pandemia<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>EUA: -3,4% em 2020 e +5,7% em 2021 <\/li><li>Uni\u00e3o Europeia: -6,3% em 2020 e +5,4% em 2021 <\/li><li>China: +2,2% em 2020 e + 8,1% em 2021 <\/li><li>Brasil: -4,1% em 2020 e +4,6% em 2021<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O Fed tem que conter a demanda em um momento em que as fam\u00edlias americanas ainda t\u00eam reservas, acumuladas nos \u00faltimos anos, para consumir, e vinham se endividando, para comprar im\u00f3veis, por exemplo. Com os juros subindo, haver\u00e1 uma recess\u00e3o, mas n\u00e3o deve ser um tombo&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sub>Rog\u00e9rio Studart <\/sub><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>O impacto da recess\u00e3o nas economias americana e europeia sobre pa\u00edses emergentes, como o Brasil, deve ser leve, caso se confirme essa expectativa de desacelera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida nos Estados Unidos, afirmam economistas ouvidos <\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que a recess\u00e3o aqui, se ocorrer, seja menor que nos pa\u00edses desenvolvidos, at\u00e9 porque j\u00e1 tivemos uma forte desacelera\u00e7\u00e3o no ano passado. Como j\u00e1 atravessamos um per\u00edodo de grande desacelera\u00e7\u00e3o, sentiremos menos os efeitos desse cen\u00e1rio internacional&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p> <sub>Pedro Raffy Vartanian, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, as proje\u00e7\u00f5es feitas por economistas para o Boletim Focus, do Banco Central, aponta crescimento para o PIB brasileiro: de 1,2% neste ano e de 0,76% em 2023.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Queda de exporta\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>O Brasil seria afetado pela recess\u00e3o nos pa\u00edses ricos por causa das exporta\u00e7\u00f5es. Elas responderam no primeiro trimestre deste ano por cerca de 19% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os pa\u00edses que mais compram do Brasil entram em recess\u00e3o, ou os exportadores brasileiros vendem menos, ou os produtos caem de pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pa\u00edses que mais compraram do Brasil em 2021<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>China: US$ 87,7 bilh\u00f5es (31,28%) <\/li><li>EUA: US$ 31,1 bilh\u00f5es (11,1%) <\/li><li>Argentina: US$ 11,9 bilh\u00f5es (4,2%) <\/li><li>Holanda: US$ 9,3 bilh\u00f5es (3,3%) <\/li><li>Chile: US$ 6,9 bilh\u00f5es (2,5%) <\/li><li>Singapura: US$ 5,9 bilh\u00f5es (2,1%) <\/li><li>M\u00e9xico: US$ 5,6 bilh\u00f5es (1,9%) <\/li><li>Coreia do Sul: US$ 5,5 bilh\u00f5es (1,9%) <\/li><li>Jap\u00e3o: US$ 5,5 bilh\u00f5es (1,9%) <\/li><li>Espanha: US$ 5,4 bilh\u00f5es (1,9%)<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perigo maior para Brasil vem da China<\/h2>\n\n\n\n<p>O Brasil pode sofrer um tombo maior com uma recess\u00e3o global se a crise econ\u00f4mica atingir com mais for\u00e7a a China, maior importadora dos produtos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Uma desacelera\u00e7\u00e3o mais forte l\u00e1 vai afetar de forma imediata nosso setor prim\u00e1rio, mas depois o restante da popula\u00e7\u00e3o vai sofrer tamb\u00e9m porque vai circular menos dinheiro na economia com menos exporta\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sub>Paulo Dutra, coordenador do curso de Economia na FAAP<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Se a recess\u00e3o nos Estados Unidos e na Europa afetarem a demanda pelas exporta\u00e7\u00f5es chinesas no momento em que o pa\u00eds ainda convive com medidas de lockdown, o gigante asi\u00e1tico tamb\u00e9m passa a comprar menos de seus fornecedores. Uma possibilidade que j\u00e1 tem provocado varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os em mat\u00e9rias-primas, como min\u00e9rios e gr\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Nos \u00faltimos anos, o crescimento da China ajudou emergentes exportadores de commodities a atravessar per\u00edodos de recess\u00e3o. Mas hoje a for\u00e7a da economia chinesa \u00e9 menor, com taxas de crescimento menores. Consequentemente, uma desacelera\u00e7\u00e3o mais forte nos pa\u00edses mais ricos tende a afetar mais os pa\u00edses emergentes, como o Brasil&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sub> Adauto Lima<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte : Economia.UOL<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo est\u00e1 sob amea\u00e7a de uma recess\u00e3o -redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, com desemprego, menos produ\u00e7\u00e3o e consumo. A possibilidade de essa crise acontecer nas maiores economias do planeta aumentou nas \u00faltimas semanas, dizem economistas. Segundo eles, isso ocorre porque EUA e Europa est\u00e3o subindo os juros contra a infla\u00e7\u00e3o e por causa do risco de a guerra na Ucr\u00e2nia afetar o fornecimento de energia a pa\u00edses do continente europeu. E essa situa\u00e7\u00e3o toda vai respingar no Brasil. A retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas maiores economias do mundo deve ocorrer entre o fim deste ano e o primeiro semestre de 2023, apontam economistas, atingindo as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Por enquanto, o risco \u00e9 de uma recess\u00e3o maior na Europa que nos Estados Unidos, de dura\u00e7\u00e3o curta \u2014de dois a tr\u00eas trimestres. 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