{"id":8415,"date":"2022-04-06T11:14:04","date_gmt":"2022-04-06T14:14:04","guid":{"rendered":"http:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/?p=8415"},"modified":"2022-04-06T11:14:06","modified_gmt":"2022-04-06T14:14:06","slug":"seguro-contra-quebra-de-banco-esta-congelado-ha-9-anos-e-perde-66-do-valor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/seguro-contra-quebra-de-banco-esta-congelado-ha-9-anos-e-perde-66-do-valor\/","title":{"rendered":"Seguro contra quebra de banco est\u00e1 congelado h\u00e1 9 anos e perde 66% do valor"},"content":{"rendered":"\n<p>No pr\u00f3ximo dia 15 de abril vai fazer 26 anos que o Fundo Garantidor de Cr\u00e9dito (FGC) foi usado pela primeira vez, para devolver R$ 363 mil a 154 clientes do Banco Dracma, que quebrou e foi fechado pelo Banco Central naquele ano. O FGC \u00e9 uma esp\u00e9cie de seguro para os investidores ou correntistas: se um banco quebrar, ele devolve o dinheiro at\u00e9 um limite. Naquela \u00e9poca, o FGC garantia apenas R$ 20 mil por pessoa. Depois, o limite desse seguro aumentou, at\u00e9 atingir R$ 250 mil, em outubro de 2013. Mas desde ent\u00e3o, esse teto est\u00e1 congelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fosse corrigido pela infla\u00e7\u00e3o medida pelo IPCA (\u00cdndice Nacional Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo), que acumulou varia\u00e7\u00e3o de 66,2% desde outubro de 2013, o limite do FGC por pessoa deveria valer hoje R$ 415,6 mil. Nesse mesmo per\u00edodo, o total de clientes do sistema financeiro cresceu 116%, para 407 milh\u00f5es. A n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o de valor do FGC \u00e9 um dos motivos pelos quais o patrim\u00f4nio do fundo atual continua atendendo hoje o mesmo percentual de correntistas e investidores que cobria em 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>O administrador do FGC e executivos de bancos dizem que a corre\u00e7\u00e3o do valor n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, apontando que nos \u00faltimos anos, desde 2013, o fundo atendeu apenas 45 mil clientes de nove institui\u00e7\u00f5es financeiras, todas de pequeno porte, gastando R$ 1,6 bilh\u00e3o. Para comparar, antes disso, o FGC havia atendido 4,2 milh\u00f5es de pessoas, com cobertura de R$ 4,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do FGC destaca que o \u00edndice de cobertura do fundo \u00e9 adequado, sendo compat\u00edvel com os n\u00edveis praticados internacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O FGC, as associadas, o Banco Central do Brasil e os demais agentes discutem de tempos em tempos a necessidade de revis\u00e3o dos valores. A conclus\u00e3o atual \u00e9 que o valor de R$ 250 mil \u00e9 adequado \u00e0 finalidade da garantia do FGC, pois promove o balanceamento entre a promo\u00e7\u00e3o da estabilidade do sistema financeiro e os custos e incentivos decorrentes da exist\u00eancia do mecanismo&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban) disse que o FGC tem suas inst\u00e2ncias competentes para definir valores, afirmando que a entidade &#8220;n\u00e3o participa deste debate&#8221;. O Banco Central, procurado, n\u00e3o quis participar da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas executivos de bancos afirmaram, sob anonimato por causa das regras de comunica\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras em que atuam, que um eventual aumento de limites hoje teria mais custos que benef\u00edcios para o sistema financeiro pois representaria um valor a mais de recursos que os bancos teriam que repassar sem um ganho significativo de cobertura para os correntistas e investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para profissionais de mercado, embora a atua\u00e7\u00e3o do FGC tenha se mostrado eficaz e segura, a atualiza\u00e7\u00e3o dos valores garantidos poderia aumentar a seguran\u00e7a dos aplicadores.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;No ponto de vista de prote\u00e7\u00e3o do investidor, considerando o n\u00edvel de renda da popula\u00e7\u00e3o brasileira e o valor de investimento por pessoa, o atual valor de prote\u00e7\u00e3o do FGC parece englobar uma parcela importante do pequeno investidor e estaria adequado para esse determinado fim. Embora a redu\u00e7\u00e3o do risco sist\u00eamico seja um efeito desejado com a cria\u00e7\u00e3o do fundo, o fato de garantir um determinado montante investido por institui\u00e7\u00e3o cria distor\u00e7\u00f5es no mercado de t\u00edtulos banc\u00e1rios.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a planejadora financeira, uma das potenciais distor\u00e7\u00f5es poss\u00edveis seria algum grau de leni\u00eancia na an\u00e1lise de risco de cr\u00e9dito da institui\u00e7\u00e3o e na avalia\u00e7\u00e3o se o pr\u00eamio de risco est\u00e1 adequado. &#8220;Se existe um montante garantido, porque haveria algum pr\u00eamio de risco para esse montante?&#8221;, pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;De fato a gente v\u00ea uma defasagem do FGC porque a infla\u00e7\u00e3o continua correndo. Talvez, o aumento do FGC pudesse trazer uma sensa\u00e7\u00e3o maior de seguran\u00e7a ao investidor. Mas por outro lado, na medida em que os investidores brasileiros est\u00e3o diversificando a carteira, buscando outras aplica\u00e7\u00f5es al\u00e9m daquelas protegidas pelo FGC, menos o fundo vai se tornando relevante&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mercado cresceu mais que o FGC<\/h2>\n\n\n\n<p>O FGC foi criado em 1995 pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Ele capta e administra recursos do pr\u00f3prio sistema financeiro para devolver o dinheiro a correntistas e investidores nos casos em que uma institui\u00e7\u00e3o financeira precisa ser assumida pelo Banco Central ou quando \u00e9 fechada por liquida\u00e7\u00e3o ou fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O capital do FGC \u00e9 formado por contribui\u00e7\u00f5es mensais de todas as institui\u00e7\u00f5es associadas, que depositam no fundo 0,01% do valor total dos dep\u00f3sitos de contas e investimentos que possuem cobertura. O fundo \u00e9 uma entidade privada, sem fins lucrativos, ou seja, formada por institui\u00e7\u00f5es financeiras e sem liga\u00e7\u00e3o com o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio dinheiro guardado no FGC \u00e9 aplicado no mercado e rende juros, aumentando o bolo total.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o balan\u00e7o do primeiro semestre de 2021, \u00faltimo registro semestral publicado pelo FGC, o patrim\u00f4nio do fundo em 30 de junho passado era de R$ 88,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelas regras do FGC, esse valor consegue cobrir uma fatia de R$ 1,7 trilh\u00e3o dos dep\u00f3sitos que pertencem a 402,5 milh\u00f5es de correntistas e investidores, ou seja, atende 99,7% do total de clientes do mercado financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse percentual de clientes com 100% de cobertura pelo FGC \u00e9 o mesmo que havia em 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>O FGC cobre perdas para dinheiro depositado em conta corrente, poupan\u00e7a, CDBs e RDBs, letras de c\u00e2mbio (LC), Letras de Cr\u00e9dito Imobili\u00e1rio (LCIs) e Letras de Cr\u00e9dito do Agroneg\u00f3cio (LCAs).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Principais n\u00fameros do FGC em 2013 e dados mais recentes<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Dezembro 2013<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Dep\u00f3sitos eleg\u00edveis: R$ 1,6 trilh\u00e3o <\/li><li>Dep\u00f3sitos cobertos: R$ 758 bilh\u00f5es <\/li><li>Clientes: 188,2 milh\u00f5es <\/li><li>Clientes com 100% segurado: 187,7 milh\u00f5es (99,7%) <\/li><li>Patrim\u00f4nio: R$ 34,2 bilh\u00f5es<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Junho 2021<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Dep\u00f3sitos eleg\u00edveis: R$ 3,2 trilh\u00f5es <\/li><li>Dep\u00f3sitos cobertos: R$ 1,7 trilh\u00e3o <\/li><li>Clientes: 407,3 milh\u00f5es <\/li><li>Clientes com 100% segurado: 402,5 milh\u00f5es (99,7%) <\/li><li>Patrim\u00f4nio: R$ 88,3 bilh\u00f5es em 30 de junho de 2021<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atualiza\u00e7\u00e3o do valor do FGC cobriria mais 880 mil clientes<\/h2>\n\n\n\n<p>Pelos dados de Censo mensal do FGC de fevereiro, o mais recente, h\u00e1 880 mil clientes com valores em contas e investimentos que est\u00e3o entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, somando R$ 219 milh\u00f5es descobertos.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dessa fatia estaria coberta se o FGC tivesse o valor da cobertura corrigido pelo IPCA acumulado desde outubro de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2013, a mudan\u00e7a mais importante para os investidores foi a cria\u00e7\u00e3o de um novo limite de pagamento, de R$ 1 milh\u00e3o por pessoa, com validade de quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Funciona como um segundo limite de uso do FGC. Pode ser usado quando um correntista tiver sido afetado pela quebra de quatro ou mais bancos nesse per\u00edodo de quatro anos. O prazo \u00e9 contado a partir do primeiro uso do FGC.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;\u00c9 importante que o investidor diversifique seus investimentos entre diferentes emissores para que fique dentro do limite de R$ 250 mil cobertos pelo FGC. Esse limite precisa j\u00e1 considerar os rendimentos, mesmo que seja apenas uma estimativa, pois assim o investidor pode ficar mais tranquilo nos casos de fal\u00eancia&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De pagamento imediato a uma demora de quase 4 anos<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde a primeira atua\u00e7\u00e3o, o FGC j\u00e1 atendeu 4,2 milh\u00f5es de correntistas e investidores, devolvendo R$ 6,2 bilh\u00f5es em dep\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo caso foi para cobrir R$ 119,5 milh\u00f5es de 2.000 clientes da CHB &#8211; Cia Hipotec\u00e1ria. Os pagamentos foram feitos 34 dias ap\u00f3s o fechamento da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Profissionais de mercado apontam que o socorro aos clientes de um \u00fanico banco acabou inflando os n\u00fameros do FGC desde 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles se referem ao maior resgate do fundo, para o Bamerindus, banco privado com sede em Curitiba (PR), que precisou de R$ 3,7 bilh\u00f5es, em mar\u00e7o de 1997, para cobrir as perdas de 3,9 milh\u00f5es de correntistas e investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pessoas tiveram acesso aos recursos no mesmo dia em que a atividade do banco foi interrompida pelo Banco Central.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos clientes do Bamerindus, os correntistas do Banorte, em maio de 1996, e do Hexabanco, tamb\u00e9m receberam o dinheiro no mesmo dia do fechamento das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas houve casos em que o pagamento demorou dias, semanas, meses e at\u00e9 anos. O Banco Financeiro Internacional (BFI) teve atividade interrompida em 17 de abril de 1996, mas os 56 clientes s\u00f3 puderam pegar o dinheiro de contas e investimentos, que somavam R$ 1,4 milh\u00e3o, em 20 de dezembro de 1999: tr\u00eas anos e oito meses de espera.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte : Economia.UOL<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 15 de abril vai fazer 26 anos que o Fundo Garantidor de Cr\u00e9dito (FGC) foi usado pela primeira vez, para devolver R$ 363 mil a 154 clientes do Banco Dracma, que quebrou e foi fechado pelo Banco Central naquele ano. O FGC \u00e9 uma esp\u00e9cie de seguro para os investidores ou correntistas: se um banco quebrar, ele devolve o dinheiro at\u00e9 um limite. Naquela \u00e9poca, o FGC garantia apenas R$ 20 mil por pessoa. Depois, o limite desse seguro aumentou, at\u00e9 atingir R$ 250 mil, em outubro de 2013. Mas desde ent\u00e3o, esse teto est\u00e1 congelado. Se fosse corrigido pela infla\u00e7\u00e3o medida pelo IPCA (\u00cdndice Nacional Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo), que acumulou varia\u00e7\u00e3o de 66,2% desde outubro de 2013, o limite do FGC por pessoa deveria valer hoje R$ 415,6 mil. Nesse mesmo per\u00edodo, o total de clientes do sistema financeiro cresceu 116%, para 407 milh\u00f5es. 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