{"id":8043,"date":"2021-12-01T11:47:34","date_gmt":"2021-12-01T14:47:34","guid":{"rendered":"http:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/?p=8043"},"modified":"2021-12-01T11:47:36","modified_gmt":"2021-12-01T14:47:36","slug":"carf-veda-irpf-sobre-garantia-prevista-em-contrato-de-aquisicao-de-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritoriomodelo.com\/site\/carf-veda-irpf-sobre-garantia-prevista-em-contrato-de-aquisicao-de-empresa\/","title":{"rendered":"Carf veda IRPF sobre garantia prevista em contrato de aquisi\u00e7\u00e3o de empresa"},"content":{"rendered":"\n<p>O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) vem decidindo contra a tributa\u00e7\u00e3o de \u201cescrow account\u201d. Trata-se de uma pr\u00e1tica bastante comum nas opera\u00e7\u00f5es de aquisi\u00e7\u00e3o de empresas. Comprador e vendedor reservam uma parcela do pre\u00e7o por um determinado prazo e se, nesse per\u00edodo, aparecer alguma despesa que era desconhecida na \u00e9poca do contrato, tal quantia \u00e9 usada para o pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe entendimento &#8211; inclusive na pr\u00f3pria Receita Federal &#8211; de que n\u00e3o h\u00e1 tributa\u00e7\u00e3o enquanto os valores estiverem presos na conta banc\u00e1ria. O vendedor, pessoa f\u00edsica, n\u00e3o precisa, portanto, contabilizar essa parcela como ganho e, consequentemente, n\u00e3o haver\u00e1 pagamento de Imposto de Renda (IRPF) durante esse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 discuss\u00e3o &#8211; e autua\u00e7\u00f5es -, no entanto, quando o dinheiro sai da conta. O contribuinte entende que s\u00f3 deve pagar imposto se n\u00e3o houver despesa extra. Ou seja, se ele, de fato, colocar as m\u00e3os no dinheiro depois de encerrado o prazo previsto no contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os auditores fiscais, por outro lado, cabe tributa\u00e7\u00e3o mesmo quando o dinheiro \u00e9 retirado para o pagamento das despesas. \u201cO fato de os valores terem sido utilizados para indenizar a compradora implicou a disponibiliza\u00e7\u00e3o aos vendedores\u201d, disse o Fisco no \u00faltimo processo sobre esse tema julgado no Carf, no m\u00eas de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento foi de que o vendedor recebeu os valores e depois indenizou o comprador. O Fisco frisou, ainda, que a indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser considerada como redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de venda porque o comprador, de fato, desembolsou tais quantias (processo n\u00ba 13971.723797\/2015-76).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse caso tratava da venda de uma universidade, que pertencia a uma fam\u00edlia, para um grande grupo empresarial do setor de educa\u00e7\u00e3o. Foram negociados R$ 523 milh\u00f5es &#8211; R$ 55 milh\u00f5es ficaram reservados em uma conta banc\u00e1ria para as conting\u00eancias e acabaram sendo usados.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento ocorreu na 1\u00aa Turma da 2\u00aa C\u00e2mara da 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o. Os conselheiros decidiram contra a tributa\u00e7\u00e3o com base em uma norma editada pela Receita Federal para orientar pessoas jur\u00eddicas. Trata-se da Solu\u00e7\u00e3o de Consulta n\u00ba 3, de 2016, editada pela da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Tributa\u00e7\u00e3o (Cosit).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa norma fala sobre o valor do custo de aquisi\u00e7\u00e3o para fins de apura\u00e7\u00e3o do \u00e1gio (quantia paga pela rentabilidade futura da empresa adquirida). Consta que o dinheiro da \u201cescrow account\u201d, se utilizado para pagar despesas, diminui o custo de aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOra, se os valores devolvidos aos compradores representam custo de aquisi\u00e7\u00e3o, naturalmente, representam, para os vendedores, uma dedu\u00e7\u00e3o no valor de aliena\u00e7\u00e3o\u201d, diz, em seu voto, o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azevedo, relator do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirma ainda que eventual atualiza\u00e7\u00e3o dos valores que retornaram para o comprador &#8211; para a quita\u00e7\u00e3o de pend\u00eancias &#8211; deve seguir o mesmo tratamento dado \u00e0 quantia principal. \u201cN\u00e3o podendo ser considerada parcela recebida sobre a qual deva incidir IRPF\u201d, frisa. A decis\u00e3o foi un\u00e2nime.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pelo menos outras tr\u00eas decis\u00f5es semelhantes na 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o. Duas foram proferidas em 2019, pela 2\u00aa Turma da 4\u00aa C\u00e2mara (processos n\u00ba 10120.722284\/2017-32 e n\u00ba 10880.724621\/2017-24) e uma, em 2018, pela 1\u00aa Turma da 3\u00aa C\u00e2mara (processo n\u00ba 10880.725865\/2017-24).<\/p>\n\n\n\n<p>Especialista na \u00e1rea, Caio Malpighi, do escrit\u00f3rio Mannrich e Vasconcelos, diz que s\u00f3 h\u00e1 Imposto de Renda se existir disponibilidade jur\u00eddica e econ\u00f4mica do dinheiro. No caso de \u201cescrow account\u201d, afirma, nenhuma das duas hip\u00f3teses se configura se o dinheiro for usado para pagar despesas. \u201cEm nenhum momento esses valores ficam dispon\u00edveis para o vendedor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Carlos Eduardo Orsolon, do escrit\u00f3rio Demarest, complementa que, enquanto o dinheiro estiver na conta banc\u00e1ria, n\u00e3o pertence a nenhuma das duas partes. Tanto que os valores s\u00f3 podem ser liberados se o vendedor e o comprador autorizarem o banco. Precisa das duas assinaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como, na vis\u00e3o de Orsolon, dizer que esse dinheiro estava com o vendedor. Iria para o vendedor, ele diz, mas n\u00e3o foi porque houve uma conting\u00eancia e teve que voltar para o comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA decis\u00e3o do Carf vem no sentido de dizer que o que est\u00e1 no contrato tem muita for\u00e7a. Ali est\u00e1 previsto, de forma clara, que a parte vari\u00e1vel do pre\u00e7o n\u00e3o iria para o vendedor se as condi\u00e7\u00f5es listadas se concretizassem. Esse dinheiro, portanto, n\u00e3o foi para o vendedor. N\u00e3o \u00e9 renda e se n\u00e3o \u00e9 renda tem ganho de capital.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pelo Valor, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) afirmou, em nota, que \u201co julgamento foi fundamento nas cl\u00e1usulas contratuais e nas circunst\u00e2ncias do caso concreto\u201d. Considera n\u00e3o ter havido, at\u00e9 agora, \u201cteses relevantes em discuss\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte : Contadores.CNT<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) vem decidindo contra a tributa\u00e7\u00e3o de \u201cescrow account\u201d. Trata-se de uma pr\u00e1tica bastante comum nas opera\u00e7\u00f5es de aquisi\u00e7\u00e3o de empresas. Comprador e vendedor reservam uma parcela do pre\u00e7o por um determinado prazo e se, nesse per\u00edodo, aparecer alguma despesa que era desconhecida na \u00e9poca do contrato, tal quantia \u00e9 usada para o pagamento. Existe entendimento &#8211; inclusive na pr\u00f3pria Receita Federal &#8211; de que n\u00e3o h\u00e1 tributa\u00e7\u00e3o enquanto os valores estiverem presos na conta banc\u00e1ria. 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